As vezes podemos dar um passo para fora, para o quintal,
praças, parques, e nos conectarmos com o
mundo natural.
Estar em contato com a natureza não é apenas um momento de
lazer, de contemplação, é uma necessidade biológica do nosso corpo e mente. A
ciência tem demonstrado que essa conexão com a natureza é capaz de restaurar a
saúde física, acalmar o sistema nervoso e devolver o equilíbrio que perdemos no
cotidiano vivendo em meio urbano.
Nas últimas décadas, pesquisadores de várias partes do mundo
estudaram os efeitos do ambiente natural sobre a biologia humana. Os resultados
comprovam que a natureza age como um poderoso facilitador do nosso bem-estar.
Uma pesquisa publicada no periódico Frontiers in
Psychology e destacada pela Harvard Medical School demonstrou que 20 minutos por dia em contato com um ambiente
natural é suficiente para reduzir
drasticamente os níveis de cortisol, o principal hormônio do estresse.
Um estudo conduzido com quase 20 mil participantes pela Scientific
Reports revelou que pessoas que passam pelo menos 2 horas por semana próximo
da natureza relatam níveis significativamente maiores de saúde e satisfação com
a vida em comparação àquelas que não o fazem.
No Japão, o conceito de Shinrin-yoku, ou banho de
floresta, é levado a sério pela medicina preventiva. Estudos da Chiba
University mostraram que caminhar entre árvores reduz a pressão arterial,
diminui a frequência cardíaca e ativa o sistema nervoso parassimpático, que é o
responsável por sinalizar ao nosso corpo que é seguro relaxar e se recuperar.
O estudo de referência sobre este tema é de autoria do
médico e pesquisador Dr. Qing Li, da Nippon Medical School em
Tóquio, que foi o pioneiro em demonstrar os efeitos biológicos e imunológicos
do "banho de floresta" e dos fitoncidas na resposta imunológica
humana.
Árvores e outras plantas liberam substâncias voláteis
conhecidas como fitoncidas para se defenderem de insetos e micro-organismos. Ao
inalarmos esses compostos naturais nosso corpo responde aumentando a produção e
a atividade das células de defesa do sistema imunológico segundo estudo
publicado em 2010 pelo autor.
Não é nada incomum sentirmos um cansaço mental após passar
horas olhando para o celular ou trabalhando no computador. Isso acontece porque
temos vivenciado a chamada atenção focada, esforço para limitarmos possíveis distrações.
Segundo a Teoria da Restauração da Atenção, desenvolvida
pelos psicólogos Rachel e Stephen Kaplan, o ambiente natural aciona a atenção
sem esforço. Observar o balanço das folhas, o som do vento, o aroma da terra
molhada ou o desenho das plantas estimula o cérebro de forma suave, permitindo
que os circuitos de atenção concentrada descansem e se regenerem.
Nós não precisamos mudar para o meio da floresta para colher esses benefícios, podemos trazer o verde para a rotina diária, transformar pequenos momentos durante o dia em pausas terapêuticas. Podemos trazer plantas ao ambiente de trabalho e em casa, deixando o ambiente mais bonito, alegre, purificando o ar e criando uma atmosfera visualmente mais acolhedora.
Podemos, por exemplo, fazer pausas programadas ao ar Livre, usando
15 ou 20 minutos do seu intervalo para caminhar na luz do sol em um local
arborizado, respirando fundo e desacelerando os pensamentos e desconectando das
telas, permitindo a presença e conexão com o ambiente.
Um dos grandes aprendizados que observando a natureza
podemos ter, é que ela não tem pressa, mas tudo nela acontece no tempo certo.
Ao nos aproximarmos do mundo natural, somos lembrados de que também fazemos
parte desse ecossistema e de que respeitar os nossos próprios ritmos pode ser o
caminho mais autêntico para o equilíbrio.
Adriana Rizzo
Engenheira Agronoma
Doutora em Produção Vegetal

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